Um palco de meter respeito, com 40 Metros de largura, com vários ecrãs estáticos e móveis, X’s gigantes, 1 milhão de Watts de luz e outros tantos de som, fizeram o pleno para aquele que, para além de ser o ultimo concerto de comemoração dos 30 anos da banda, era igualmente o primeiro de estádio em que os mesmos são cabeça de cartaz.
19 horas – Ainda com o estádio d’O Belenenses a um décimo da sua capacidade, entraram os PONTOS NEGROS, banda que é uma as novas apostas no panorama nacional (Relembro que foi uma das bandas que abriu o Palco Optimus, no Optimus Alive ’09, com o seu “Magnifico material inútil”. Uma banda a ter em conta.
Cerca de uma hora depois, João Ribas e o resto dos TARA PERDIDA faziam explodir o estádio com o seu poderoso e eleectrizante Punk Rock. Não brincaram em serviço e conseguiram arrebatar, como os PONTOS NEGROS, simpatia.
Entretanto, o tão esperado concerto previsto para as 22 horas dos Xutos foi sendo adiado. A espera já era longa para os já muitos milhares que, desde cedo, estavam no recinto. Muitos ainda tinham que entrar e soube até quem tenha estado 3 a 4 horas na fila de entrada (devido à fiscalização por parte das autoridades).
22.30. As luzes do estádio apagam-se e os ecrãs gigantes começam a dar imagem em directo, da chegada dos membros dos Xutos e Pontapés ao recinto. Mal se percebeu que essa chegada culminaria numa entrada pelo extremo contrário ao do palco, tendo os músicos, percorrido a pé, por entre os felizes fãs (e para grande apuro da segurança) desde o topo norte do estádio até ao palco.
Chegados ao palco, QUEM É QUEM foi o mote de abertura para mais de 3 horas de concerto. Todos os êxitos rolaram, pouco há dizer sobre isto, porque em qualquer reportagem sobre os Xutos, mesmo quem não tenha ido, sabe de cor e salteado o que tocam e quais musica tocam.
É óbvio que há surpresas no meio de tudo isto. Pacman, líder dos DA WEASEL foi o convidado para declamar “Sangue da Cidade”, do ultimo álbum , para gáudio de muitos fãs (principalmente feminino). Camané também entrou no rol, onde em conjunto com os anfitriões, cantou (em uníssono com o publico, o tão conhecido “Homem do Leme”).
Nesta fase, onde Camané entrou, destaque para duas coisas – O mesmo palco avançado que utilizaram nos concertos do Campo Pequeno, redondo, de onde surgem de uma plataforma giratória (com fundo falso), onde aplicavam algumas daquelas mais introspectivas. Da passagem dos músicos por um túnel, alguém tinha de aguentar as pontas em palco, que durante 5 longos minutos, suou a estopinhas, a improvisar uns acordes de guitarra, á espera que a plataforma trouxesse ao cimo o resto da banda com os respectivos instrumentos. Presença de Pedro Gonçalves ( dos Dead Combo) no Baixo nesta parte do espectáculo.
“Submissão” foi também uma parte interessante, onde Zé Pedro, momentos antes apelou ao voto. Apelou para todos fazerem o seu destino porque o futuro estava nas mãos de quem o ouvia. O mesmo interpretou, esganiçada, mas de forma dedicada ao tema.
Kalú não podia ficar atrás, dado que é o mais irreverente do colectivo, que nos trouxe pela sua voz “Sem Eira nem Beira”, tendo ficado o seu técnico de som na bateria. Não esquecer também “Classe de 79”, o novo single da banda também puxou bem pelo publico.
3 horas e picos de concerto e 2 encores depois eles sairiam do palco, justificadamente ovacionados pelo publico.
Foi um concerto ao mais alto nível, do melhor que os Xutos têm, é um facto. Desde crianças com pouco mais de 1 ano aos quase 100 anos de uma senhora que conheci. Foi o êxtase para muitos.
Na minha perspectiva, apesar do profissionalismo, do grande nível e carisma de quem faz de Portugal, o seu palco há 30 anos, o concerto, não se pautou por 100% brilhante (Uma das características que aprecio nos Xutos), com muitos espaços mortos, as mesmas coreografias sonoras e sem surpresas. Em “Pra Sempre” notou-se que Kalu tinha dado o mote na bateria para que o publico continuasse em uníssono a cantar, mas ao fim de 2 minutos de pum, pá, pum pá, o publico só percebeu que deveria cantar quando Tim começou com o “aaaaaaaaaaaaaiiiiiiiii meu amor….”, foi quando o publico fez “PLIM!”
Achei-os muito bem comportadinhos para aquilo que se esperava deles. Foram profissionais, excelentes. Mas ali (e a opinião até foi de muitos, para além de mim) faltou qualquer coisa.
Nota muito positiva ao João Cabeleira que costuma fazer o seu trabalho exemplarmente nos solos de guitarra, apesar de ficar um pouco mais arredado em termos visuais. Com um visual de fato, cabelo meio comprido, pêra, alguns quilos a mais, abafou sem fazer muito esforço para se fazer notado, o próprio Zé Pedro, o mais aclamado pelas fãs ao longo dos tempos. Grande surpresa e o publico feminino é da mesma opinião.
Certamente, veremos a edição em DVD deste espectáculo, muito em breve.
Nota final para dar os parabéns a todos os membros da banda. Ao fim de 30 anos ainda vale a pena.
Ivan Rodrigues