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REPORTAGEM SELECCIONADA
Da Força de Nelly, furtada pelos gregos no futebol, ao Mercury virtual no Olimpo
Data de publicação:
2009-10-01 11:54:00
Conteúdo da Reportagem (Da Força de Nelly, furtada pelos gregos no futebol, ao Mercury virtual no Olimpo)
Passaram mais de cinco anos, mas há uma Força que continua a soar nos ouvidos portugueses e que só os gregos conseguiram parar, na final do Euro2004, uma desfeita que o hino de Nelly Furtado continua a mitigar.

"Escrevi esta música inspirada pela paixão dos portugueses pelo futebol e com a esperança de que isso fosse transmitido pelo ritmo e a letra. Talvez tenha sido a Força que também ajudou Portugal a chegar à final com a Grécia", afirma, em tom mais optimista, Nelly Furtado à Agência Lusa, através do seu manager, na véspera do Dia Mundial da Música que se assinala hoje.

Para a cantora luso-canadiana, o tema Força "descreve como o futebol entusiasma de forma apaixonada" e foi com esse objectivo que compôs uma "canção alegre, que tentasse ser um hino ao futebol, cheio de energia".

"É uma música que ainda hoje arrepia e continua indissociável da projecção mediática do nosso Europeu e à sua expressão internacional", sublinha, por seu turno, António Laranjo, director do torneio que Portugal organizou em 2004.

Para o antigo responsável do maior evento desportivo realizado em território nacional, o tema cantado por Nelly Furtado atingiu todos os objectivos: "Cativou, entusiasmou e impulsionou os adeptos, porque entrava facilmente no ouvido e estava sempre acompanhado por uma coreografia simples e bonita".

"Nem todas as músicas que servem para 'abanar o capacete' são próprias para um espectáculo futebolístico, mas o Força foi um grande prelúdio para os jogos. Tinha uma entrada forte no ouvido, convidava a ondular o corpo e tinha um ritmo adequado ao futebol", recorda António Laranjo.

A última palavra na escolha do tema pertenceu à UEFA. António Laranjo lembra que, na altura, "estavam em cima da mesa outras alternativas, mais populares, convencionais e próximas da música tradicional portuguesa".

"Tomámos conhecimento da música dias antes de ser lançada. Recordo-me da sensação de euforia e felicidade que sentimos ao ouvi-la. Era um tema forte, que mexia connosco e com todos os que estavam envolvidos na organização do Euro2004", relembra.

Muitas outras músicas ficam vinculadas a eventos desportivos. Umas são compostas propositadamente, como aconteceu com a Força da cantora luso-canadiana, e outras resgatadas para reforçar o significado dos maiores momentos de glória, como o eclético We Are the Champions, dos Queen, uma verdadeira banda sonora dos que se consagram nas várias modalidades.

A mais milionária competição mundial de futebol, a Liga dos Campeões, tem também honras de hino composto para a prova e que ecoa pelas bancadas dos estádios de futebol desde 1992.

Inspirado no estilo do compositor barroco alemão George Friedrich Handel, o britânico Tony Britten escreveu o hino que vai tocando todos os anos nos estádio europeus e que lança os jogos da liga milionária, com melodia da Orquestra Filarmónica Real Britânica e vozes do coro da Académica de St. Martin in the Fields.

Fonte da UEFA explicou à Lusa que foi pedido a Tony Briten uma música "que oferecesse o prestígio que a prova merecia", uma criação de inspiração clássica que representasse "o 'top dos tops'".

O facto de o hino da Liga dos Campeões não ser comercializado tem para a mesma fonte uma boa explicação: "Quisemos sempre dar-lhe um carácter exclusivo e registá-la como uma das marcas únicas da nossa competição".

"Caso a comercializássemos perderia aquela conotação de música criada para uma ocasião muito especial: um jogo da Liga dos Campeões", destacou a mesma fonte.

O maior evento desportivo do Mundo, os Jogos Olímpicos, decorre há mais de 100 anos e prepara-se, em Londres, para a 27.ª edição, em 2012. No entanto, a capital inglesa recuará, na altura, 20 anos para também recorrer à música que o Mundo adoptou como hino oficioso da gigantesca competição.

Em Londres também se ouvirá... Barcelona. Vinte anos antes, e já depois da morte de Freddy Mercury, a cantora lírica catalã Montserrat Caballé juntou-se virtualmente ao vocalista dos Queen para entoar, na cerimónia de abertura, o hino dos Jogos de Barcelona, que ainda hoje perdura nos ouvidos como música olímpica.

A experiência virtual repetiu-se sete anos depois, mas focada no futebol. Montserrat Caballé desceu ao relvado do Estádio Camp Nou, em Barcelona, para voltar a "juntar-se" a Freddy Mercury e arrepiar os adeptos que se preparavam para seguir a final da Liga dos Campeões entre o Manchester United e o Bayern de Munique.
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